Pedro Pinheiro, Presidente do ISCAL, publicou um artigo de opinião no ECO, intitulado “Papel do professor na era da IA”, onde reflete sobre o impacto da Inteligência Artificial no Ensino Superior e sobre a transformação do papel do professor num contexto em que o acesso à informação é cada vez mais imediato.
No artigo, Pedro Pinheiro defende que a Inteligência Artificial não diminui a importância do professor, mas torna mais evidente aquilo que verdadeiramente justifica a sua existência. Perante ferramentas capazes de explicar conceitos, resumir textos, resolver problemas ou produzir respostas em poucos segundos, o autor considera que o papel do docente não pode limitar-se à transmissão de informação.
“Ensinar é ajudar alguém a transformar informação em conhecimento e conhecimento em capacidade de pensar e agir, de modo autónomo”, afirma o Presidente do ISCAL, destacando a importância do professor enquanto orientador do processo de aprendizagem.
Neste contexto, Pedro Pinheiro considera que o professor deverá assumir um papel cada vez mais relevante no desenvolvimento do pensamento crítico dos estudantes. Num cenário marcado pela abundância de informação, cabe ao docente ajudar a formular boas perguntas, distinguir uma resposta plausível de uma resposta correta, confrontar fontes, identificar pressupostos e reconhecer a incerteza.
A reflexão estende-se também aos modelos de avaliação no Ensino Superior. Para o Presidente do ISCAL, se forem avaliadas sobretudo competências que as ferramentas de Inteligência Artificial conseguem executar rapidamente, será necessário repensar aquilo que se pretende avaliar. O raciocínio, a argumentação, a capacidade de aplicar conhecimentos a situações novas, a discussão, a criatividade e a defesa das opções tomadas deverão assumir maior importância.
Pedro Pinheiro defende uma abordagem equilibrada à utilização da Inteligência Artificial pelas instituições de Ensino Superior, rejeitando tanto a proibição como uma adoção sem critérios. “Entre proibir e aceitar tudo existe um espaço muito mais exigente: ensinar a utilizar bem”, afirma. Esta abordagem implica, segundo o autor, literacia em IA, transparência, regras claras e responsabilidade, bem como a preocupação de evitar que a introdução destas tecnologias crie novas formas de desigualdade.
O artigo destaca ainda a importância da dimensão humana no processo educativo. “Quanto mais tecnologia introduzirmos na educação, maior será a importância daquilo que a tecnologia não substitui facilmente: a relação humana”, sublinha Pedro Pinheiro, referindo a capacidade do professor para perceber hesitações, desafiar certezas, criar confiança, despertar curiosidade e reconhecer potencial.
Para o Presidente do ISCAL, a questão central não é saber se a Inteligência Artificial irá substituir os professores, mas antes perceber que professores queremos ser num contexto em que o conhecimento deixou de ser, por si só, a principal justificação para a presença do docente.
“Talvez a IA nos esteja a obrigar a regressar ao essencial da profissão, ou seja, não ensinar estudantes a reproduzir respostas, mas ajudá-los a construir pensamento próprio”, conclui Pedro Pinheiro.
Artigo na íntegra disponível em: Papel do professor na era da IA