Passar para o conteúdo principal
Submetido por marianabarros a 22 January 2026
Docente do ISCAL defende que a tecnologia não é suficiente para trazer os estudantes de volta às salas de aula
  • Data:

Carla Martinho, docente do ISCAL e presidente do Conselho Pedagógico da instituição, escreveu recentemente um artigo de opinião para o Observador onde reflete sobre o ensino superior na era digital, defendendo que a tecnologia, por si só, não resolve o afastamento crescente dos estudantes das aulas presenciais.

No texto, a docente sublinha que os anfiteatros vazios não são apenas um problema académico, mas um sinal de desajuste entre as práticas pedagógicas e a realidade social dos estudantes. “As salas do ensino superior nunca tiveram tanta tecnologia e nunca estiveram tão vazias”, afirma, acrescentando que ensinar com tecnologia não é o mesmo que ensinar com sentido.

Carla Martinho explica que a ausência dos estudantes raramente resulta de desinteresse. Está, na maioria dos casos, ligada a contextos de pressão social, económica e emocional. Muitos alunos trabalham para conseguir estudar, vivem longe das instituições ou acumulam responsabilidades familiares. “A decisão de ir às aulas passa, inevitavelmente, por uma pergunta simples: vale a pena?”, refere.

A docente destaca que quando a aula presencial não oferece um valor acrescentado claro, a ausência deixa de ser um problema disciplinar para se tornar uma consequência lógica. Esse afastamento progressivo pode conduzir, de forma silenciosa, ao abandono do ensino superior. “Se a presença pouco conta, a aula pouco conta”, escreve.

No artigo, Carla Martinho alerta ainda para uma utilização superficial da tecnologia no ensino. Gravar aulas expositivas, recorrer a apresentações extensas ou transferir conteúdos para plataformas digitais sem repensar metodologias mantém intacto o problema central. “Usar tecnologia não é, por si só, inovar”, sublinha.

Para a presidente do Conselho Pedagógico do ISCAL, a tecnologia só se torna relevante quando transforma verdadeiramente a experiência de aprendizagem, libertando tempo para a discussão, a interação, a resolução de problemas e o acompanhamento dos estudantes. Ainda assim, reforça que nenhuma ferramenta substitui a dimensão humana do ensino. “Nenhuma plataforma, algoritmo ou sistema automatizado substitui a relação pedagógica”, afirma.

O artigo conclui com uma mensagem clara: a solução não passa por tornar a presença obrigatória, mas por devolver sentido à aula presencial. “Os estudantes não faltam porque podem; faltam porque não encontram sentido”, escreve, defendendo que a tecnologia pode apoiar o ensino, mas é o professor que faz a diferença.

 

Artigo na íntegra disponível em: Ensino superior na era digital: a tecnologia não chega para trazer os alunos de volta