Pedro Pinheiro, Presidente do ISCAL, escreveu um artigo de opinião onde reflete sobre o impacto da Inteligência Artificial nas áreas da contabilidade, auditoria e gestão, defendendo que o principal desafio já não é perceber se esta transformação vai acontecer, mas sim preparar os profissionais para trabalharem com estas tecnologias.
No texto, Pedro Pinheiro explica que a automação impulsionada pela Inteligência Artificial está a transformar profundamente tarefas tradicionalmente associadas a processos repetitivos e administrativos. “Aquilo que antes consumia horas de trabalho pode agora ser feito em minutos”, afirma, sublinhando que esta evolução permite libertar os profissionais para funções de maior valor acrescentado.
O presidente do ISCAL destaca que esta mudança não representa o desaparecimento destas profissões, mas antes uma transformação da forma como são exercidas. “Isto não significa o fim do contabilista, do auditor ou do gestor. Significa, sim, o fim de uma certa forma de exercer estas atividades”, refere.
Pedro Pinheiro defende que o profissional do futuro terá de assumir um papel mais analítico, estratégico e interpretativo, apoiando as organizações na tomada de decisão, na avaliação de riscos e na leitura crítica da informação económica e financeira. Apesar da evolução tecnológica, considera que existem competências humanas insubstituíveis. “A tecnologia não substitui o julgamento profissional, a ética, o ceticismo, a criatividade e a capacidade de questionar resultados aparentemente perfeitos”, escreve.
O artigo alerta também para o risco de Portugal perder competitividade caso encare a Inteligência Artificial apenas como uma ameaça ou uma tendência passageira. Segundo Pedro Pinheiro, as organizações que integrarem estas ferramentas terão maior capacidade analítica, produtividade e atração de talento.
Perante este cenário, o presidente do ISCAL sublinha a importância da requalificação e da atualização do ensino superior. “Não basta introduzir unidades curriculares com a expressão ‘IA’ na sua denominação. É necessário atualizar profundamente o ensino superior, a formação executiva e a aprendizagem ao longo da vida”, afirma.
Pedro Pinheiro defende ainda um reforço das ligações entre academia e mercado de trabalho, permitindo aos estudantes um contacto mais próximo com ferramentas e desafios reais. “A transformação digital não é apenas uma questão informática, mas sim uma mudança cultural e de paradigma”, refere.
O artigo termina com uma reflexão sobre o verdadeiro valor humano num contexto de crescente automação. “O risco não está na máquina executar uma atividade melhor do que nós. O risco está em continuarmos a formar pessoas para tarefas que a máquina já faz”, conclui Pedro Pinheiro.
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